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Whatever Labs

DIÁRIO / MAKING OF

Carnival in the Sky.

WHATEVER LABS — JULHO 2026 — LEITURA DE 6 MIN — SCENE 03 / TAKE 02

Um estudo interno do lab — uma produção autoral, sem cliente, sem briefing além do nosso. A ideia era forçar o pipeline até ele quebrar e descobrir quanto custa, de verdade, sustentar um único clima contínuo em escala de VFX. Aqui está como o filme foi feito.

01

O briefing

Começou como uma frase na parede: “um parque itinerante que nunca pousa.” Sem storyboard, sem cliente esperando — só uma provocação para ver se o estúdio conseguia sustentar uma única sensação, sem quebra, ao longo de quinze segundos de espetáculo à luz do dia.

O estudo tinha três coisas a provar. Que a gente conseguia sustentar um quadro ultrawide 2.35:1 de verdade, sem chegar lá na base do crop. Que espetáculo em escala de VFX sob luz do dia — a iluminação mais difícil de fingir — podia passar como real. E que a coisa toda conseguia carregar um único clima contínuo, do primeiro ao último frame, do jeito que um diretor segura o tom no set.

02

Look development

Antes de gerar um único plano, construímos o mundo em stills. Referências primeiro: cartazes de circo vintage, fotografia de balões meteorológicos, a luz lavada e específica da alta altitude. A partir delas travamos uma paleta — o vermelho e o creme da lona listrada, latão envelhecido e o azul profundo de estratosfera que precisava ficar atrás de tudo, como a constante.

A proporção 2.35:1 não era um crop, era a premissa. Um parque que flutua precisa de horizonte; a largura anamórfica dá ao olho espaço para ler escala — tendas contra o céu, balões contra o nada — sem cortar o quadro no meio.

Plate do céu de abertura de Carnival in the Sky — azul lavado de alta altitude com nuvem tênue, ultrawide
FRAME 01 — PLATE DO CÉU DE ABERTURA — 2.35:1
03

Cinematografia virtual

Todo plano foi desenhado como um set real antes de ser gerado. Fixamos uma lente 35mm, baixamos a altura da câmera o suficiente para fazer as tendas parecerem gigantes e marcamos a movimentação — onde o brinquedo entra, onde o olho pousa, onde os balões se soltam — no papel primeiro. Só então começamos a gerar, take a take, contra esse plano.

Honestidade sobre o processo: dezenas de takes foram gerados para cada plano que sobreviveu. A maioria morreu — parallax errado, um balão que fugiu do tom, uma luz que brigava com a paleta. Os dois frames abaixo são os que se sustentaram.

Revelação da tenda em Carnival in the Sky — torres de lona listrada captando luz baixa e quente contra o azul
FRAME 02 — REVELAÇÃO DA TENDA — TAKE 02 / SELECIONADO
Campo de balões em Carnival in the Sky — um conjunto de balões de ar quente subindo pelo quadro
FRAME 05 — CAMPO DE BALÕES — TAKE 04 / SELECIONADO
04

A grade

O filme é finalizado duas vezes. O primeiro passe é propositalmente chapado — um render de baixo contraste e dessaturado que mantém cada valor recuperável, nada esmagado, nada estourado. Esse passe sem grade é o negativo: existe para que a grade tenha espaço para trabalhar.

A grade é onde o clima é definido. Calor no latão e na lona, o azul de estratosfera puxado para o frio e o profundo, contraste modelado para os balões se separarem do céu. Arraste o controle para ver o mesmo frame antes e depois.

Frame principal de Carnival in the Sky, passe chapado sem grade — render dessaturado antes da grade
Frame principal de Carnival in the Sky, cor final com grade — azul de estratosfera e latão quente
SEM GRADEGRADE FINAL
FRAME 04 — ARRASTE PARA COMPARAR — SEM GRADE / GRADE FINAL
05

Som & finalização

A imagem é só metade. A finalização sobrepõe uma trilha lenta, puxada para o latão, sob uma camada de ar em movimento — o chiado específico da altitude — e um murmúrio distante de multidão que nunca vira voz, para o parque seguir sempre fora de alcance. Toda a mixagem é masterizada para loudness de social, para bater igual num celular a um braço de distância e na sala.

Still do final de Carnival in the Sky — o parque à deriva entre balões enquanto a luz muda
FRAME 06 — FINAL — 2.35:1
06

O filme

FINAL CUT — 00:15 — 2.35:1

DIREÇÃO
WHATEVER LABS
EDIÇÃO
WHATEVER LABS
GRADE
WHATEVER LABS
SOM
WHATEVER LABS

MADE IN THE LAB, CURITIBA